segunda-feira, 7 de maio de 2012

Um Retrocesso Para Avançar


Começamos o processo (institucionalmente falando) no dia 30 de Janeiro onde todos expomos nossas vontades e desejos de como seria a peça e esboçamos nossa primeiro "concepção" do espetáculo.
Alguns dias depois (poucos, por sinal) recebemos a visita do nosso grande amigo Wal Mayans, fizemos 10 dias de oficina com ela para aprimorarmos técnica e nos integrarmos mais como grupo, simplesmente fantástico.
Pouco tempo após a ida do Wal começamos os ensaios de criação com um trabalho mais voltado para o corpo seguindo uma estética não-naturalista, que eu confesso, foi e é onde eu mais tenho dificuldade em todo o processo. Ao mesmo tempo tivemos uma oficina com Roberto Inocente praticamente junto com o início dos ensaios, onde aprendemos mais sobre a utilização de máscaras.
Passamos por toda uma criação de personagem e de composição coreográfica onde fomos do sonhos aos pesadelos, esculpimos uma obra, que ainda que grosseira, foi esculpida a... não sei, 26 mãos? Onde podemos ver em cada pedaço dessa obra um pequeno pedaço de nós, de nossos anseios, vontades e desejos que tínhamos para o Dorminhoco NAQUELA Reunião ocorrida a 98 dias atrás (quanto tempo, jesus amado). Lógico que nem tudo foi lindo e maravilhoso, tivemos brigas, discussões, crises, choros, e muito mais nesse processo, e agora, parando para pensar, vejo que todas foram necessárias, nossos "sofrimentos" e "desilusões" também estão impressos na obra, mas isso não quer dizer que ela esteja triste, melancólica e horrorosa, isso a torna humana.
E agora temos ainda mais coisas, a Karlinha vem com nossas músicas, o Eduardo com nosso figurino, o Blás arrasando com o nosso cenário, o Guga e os nossos adereços, o Anry iluminando o nosso caminho, puxa, quanta gente...
Pois é, ainda faltam 81 dias para terminarmos essa etapa do processo, ainda precisamos "limpar" a nossa escultura que ainda está "grosseira" e "inacabada", mas, aos meus olhos, mesmo ainda sendo rústica, nossa obra já está linda e quando finalizarmos ela ficará... não digo perfeita, mas digo bela, de uma beleza que vai além da estética, de uma beleza que está dentro de todos nós, só precisamos deixar o Dorminhoco que existe dentro de cada um acordar para os sonhos e para vida.

Vamos Dorminhocos, acordem e desejem a todos que ainda dormem na realidade: "BONS SONHOS"!

sexta-feira, 23 de março de 2012


Latão, Latinha, Lá tem (oi?)

Bem, é isso, descobrir as coisas sozinho as vezes é divertido também, meio solitário, mas não deixa de ser brincadeira.

Tudo redondo, circular, afinal de contas, o círculo é o símbolo da perfeição, por que não?

Metais, caixas.

Acho que chega por hoje, estou muito abstrato, ainda não saí da pira.

Bons sonhos, durmam bem, e lá vai o trem!

quarta-feira, 21 de março de 2012


Texto utilizado no processo de criação no dia 20/03/2012


O GRANDE SONHO

PorEditor
novembro 22, 2011

Por Felipe Mongruel
Para viver um grande sonho, há que se roubar de propósitos, planejamentos e projetos não seus.
Para viver um grande sonho há que militar pelo grande sonho, há que fazer frete com o destino para chegar-se ao apto momento de construir o grande sonho. Torná-lo só seu, com seus toques e retoques do grande feito, da grande obra, do grande merecimento.
O grande sonho é o choque traumático do grande eu com o eu de antes. O encontro indizível com o nascimento. A ávida vontade de ser grande, ou talvez de ser só peixe grande. Mas o grande sonho é assim, não exige planos, mas exige vida. Exige cancha, horas de expediente no tempo e estórias pra contar. Quem não sabe o que se viveu no passado não sabe como irá contar o futuro.
Você que por ventura se segura com a participação da poesia e se move só com a esperança do milagre, saiba que quem concebeu esse pensamento foi casado nove vezes e teve a vida inteira um grande sonho. Não sei qual era, mas só com a destreza da vida vivida se segura com poesia e se move com esperança nessa trajetória. O grande sonho é a força motriz de nossa juventude que não sabe e nem quer olhar pra isso. Muito menos ler isso.
Tive uma experiência curiosa dias atrás com meus alunos de último ano do médio, talvez uma passagem, mas foi deveras significante.
Com a devida vênia leitor, vou contar o que vivi em trabalho.
Em sala de aula, na RMC, por volta das 10 da manhã, provoco o assunto das manifestações londrinas. Dos inúmeros acontecimentos na capital inglesa desencadeados pela morte sem motivo causada pela polícia a um adulto médio, sem maiores perigos que um gato siamês, mas que a polícia tratou de executar. A explosão social e o choque de gerações e naturezas que ocorreram na capital depois disso geraram saques, explosões, incêndios, depredações e mortes, claro. A imprensa britânica tratou de invocar isso como desordem, ou coisas de vândalos, marginais que não tem o que fazer. Talvez até nem tenham mesmo o que fazer, mas isso é olhar pro micro, não pro macro. A questão é muito maior, de muitas outras proporções, e o que acontece em Londres não acontece só lá, mas também em vários outros locais do planeta, de Cairo à Trípoli.
Falei com a turma e eles recebiam essas palavras com enorme estado de letargia, mas ao mesmo tempo se identificavam com os jovens ingleses. Óbvio que não na agressividade, mas no fato importantíssimo de não saber o que fazer, nem para onde ir, nem porque lutar, nem por quê lutar. O oceano desiludido dos jovens pré-universitários é assombroso. O imediatismo de seus amores, de seus deveres, de suas preocupações sem sentido faz com que não amem nada, não haja interesse nem curiosidade por coisa nenhuma. O mundo abre e fecha suas portas e isso não tem importância. Calcados na segurança mórbida do querer fazer quando der na telha. E mesmo assim, sem perspectiva nenhuma continuam aceitando qualquer pessoa em sua páginas sócias, usando camisetas do Guevara, brincos no nariz e qualquer outro tipo de manifestações contra o sistema. Tudo isso pra dizer socorro.
Percebi que meus alunos estavam longe do grande sonho…
Percebi que é desoladora a impressão e o gosto da indiferença pra tudo. O mundo virou indiferente. Somos indiferentes porque o mundo não tem espaço pra sonhadores. Todos são sonhadores sem sonhos definidos, todos são náufragos em sonhos que vão a banca rota todo dia pela internet.
O grande sonho é o processo de individuação do ser. A busca sozinha, fria e gelada do crescimento e da evolução. O grande sonho é a construção, é o dia após dia dedicado numa longa e linda jornada.
Esse texto é dedicado para meus alunos de terceirão que me mostraram estarem dispostos a caminhar e lutar por este processo e para a jornalista, que fez tudo isso se despertar na minha vida, e com quem eu vivo o meu grande sonho.

quinta-feira, 15 de março de 2012


Post 2, por Kamila Ferrazzi

Gestação

Fertilizou-se o embrião do dorminhoco...Tão pequenino! Mas muito esperto.

O pequeno Zigoto já começou a se dividir.

Nesse momento o pequeno dorminhoco está na fase da mórula, onde pequenas células se unem e indicam a primeira fase da formação do nosso bebe.

E essas células estão repletas de inspirações, alegria, diversão, carinho, amorosidade, beleza, dedicação, vontade, carisma, sentimentos e muitos sonhos.

O dorminhoco será uma obra Cristal. É! Foi enviado pela Mãe  das Artes, com a missão de plantar sonhos em todos os corações!!

Por isso todo o cuidado é pouco, temos que nos dedicar ao máximo para o cuidado dessa obra, e nutri-la com o que temos de melhor dentro de nós! Assim não tem erro. O dorminhoco vai nascer  lindo e encantador! E crescer e se fortalecer a cada dia.

Vamos compartilhar aqui todo o processo de gestação do nosso bebe! Fiquem atentos e com vibrações positivas.
Início de um breve devaneio:


"Do alto eu vejo um mundo diferente
Vejo que não sou tão grande
Vejo todos minúsculos
Vejo a queda muito maior


Vejo o céu pertinho das minhas mãos
Vejo o mundo enorme e imenso
Vejo as nuvens virando algodão
Vejo a chuva caindo como um rio


Vejo que no fim das contas nada vejo
Fecho os olhos, respiro, e percebo
Que nada é como tudo que vejo


Não vejo que sou grade, pois sou enorme
Não vejo que as pessoas minúsculas, pois são do meu tamanho
Não vejo que a queda é grande, pois o voo é mais divertido
Não vejo com os meus olhos, vejo com os meus sonhos"


Fim de um breve devaneio

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sonhando, sonhando...

Texto inspirador para o espetáculo "O Dorminhoco". Escrito por Carlos Drumond de Andrade e lembrado e compartilhado pela diretora Letícia Guimarães.

SENTIMENTAL
Ponho-me a escrever teu nome
com letras de macarrão.
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
e debruçados na mesa todos contemplam
esse romântico trabalho.

Desgraçadamente falta uma letra,
uma letra somente
para acabar teu nome!

- Estás sonhando? Olhe que a sopa esfria!
Eu estava sonhando...
E há em todas as consciências, um cartaz amarelo:
"Nesse país é proibido sonhar."

"Ninguém tem paciência comigo..."

O meu dorminhoco dorme em pé e de olhos abertos.
O dorminhoco é um menino avoado, e que sonha acordado.
Ele é magro, mas barrigudo, um piá pançudo.
E com o ombro atolado, sem pescoço o coitado.

Meu dorminhoco tem uma "paciência de Jó".
Não tem pressa pra nada, nem pra nadar.
Meu dorminhoco acha tudo engraçado e chora de tanto rir.
O dorminhoco é muito silencioso, mas não para de falar com seus botões.

Meu dorminhoco conversa com seus pensamentos.
Adora a noite, é a melhor hora pra conversar em silêncio com ele mesmo.
Também conversa com a lua e as estrelas.
O dorminhoco vive inventando novos planetas.

Seu pai o chama de lunático e manhoso.
Sua mãe diz que é um coitado, frágil e carente.
Já a sua professora o chama de preguiçoso.
Mas na verdade o dorminhoco é apenas DIFERENTE.

(Texto escrito pelo ator Simão Cunha em 12/03/2012 - 2º dia de ensaio.)